Por iniciativa de José Henriques, marinheiro da via fluvial da C.P., a que aderiram entre outros alguns colegas de trabalho – na altura no barco “Évora”, que fazia a travessia Barreiro-Lisboa –, foram esboçadas as primeiras linhas de orientação para o nascimento de uma nova Colectividade. Como principal objectivo, a criação de um ponto de encontro, espaço de convívio e divertimento colectivos, que lhes proporcionasse a ocupação de tempos livres. A data de 31 de Janeiro de 1932, dia em que todos os intervenientes chegaram a um acordo final, foi considerada como da fundação da nova Colectividade. Posteriormente, e porque as ideias não paravam, foi constituído um grupo musical e outro de teatro. Depois, em 1935, veio a da criação de uma biblioteca. Supõe-se que o primeiro nome escolhido para a Colectividade, Grémio Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro, teve os seguintes fundamentos:
– A obrigação de se respeitarem os modelos vigentes de organização, associativa em particular e social em geral;
– A necessidade de que tal denominação também expressasse o conjunto de actividades que motivaram a fundação da Colectividade, e que ela pretendia promover, fomentar e desenvolver no seu seio, nomeadamente a “manutenção de uma escola para sócios e filhos menores, proporcionar recreio aos seus associados por meio de récitas, bailes, sessões solenes, conferências instrutivas, biblioteca e jogos autorizados por Lei”, assim referia o artº 2.0 do capítulo 1 dos seus Estatutos (com 8 capítulos e 38 artigos, elaborados por José Alexandre da Silva, António Dias da Silva, Francisco Augusto Alves e Herculano José Botelho), aprovados na Assembleia Geral de 24 de Novembro de 1934, e pelo Governo Civil do Distrito de Setúbal a 4 de Novembro de 1935, tendo-lhe este concedido o alvará nº 131, registado no livro 1, folha 67 verso, das Associações de Recreio, Instrução e Beneficência.
– E, por último – que aplaudo sem reticências –, uma sentida homenagem à histórica “Revolta de 31 de Janeiro de 1891”, no Porto, vista como o primeiro movimento revolucionário que teve por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal, e que fracassou. Atitude fundamentada na cedência do Governo, e da Coroa, ao ultimato britânico de 1890, que exigia a Portugal a retirada das forças militares do território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola (onde se situam hoje a Zâmbia, Zimbabwe e Malawi), a que Portugal deu o nome de “Mapa Cor-de-Rosa”. O “sim” de Portugal às exigências britânicas – que assim se apoderaram do referido território discutido quando da “repartição de África” na Conferência de Berlim, 1884-1885 –, foi vista como uma humilhação nacional pelos republicanos portugueses, que acusaram o governo e o rei D. Carlos de serem os seus responsáveis. Revolta da qual nasceu uma canção de cariz patriótico, “A Portuguesa” – com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil –, considerada, desde então, como Hino Nacional, embora proibido durante a monarquia.

Foram seus fundadores:
– José Henriques F. Alves, eleito por todos como sócio nº 1 – Marinheiro da via fluvial na C. P.
– Rangel da Conceição Soares – Marceneiro na Casa Figueiredo
– Joaquim Domingues, 1º presidente da Direcção – Maquinista da via fluvial na C. P.
– Francisco Augusto Alves – Contínuo na C. P., em Stª Apolónia.
– José Alexandre da Silva – Cromador na C. P.
– Herculano José Botelho – Marinheiro da via fluvial na C. P.
– Joaquim Remígio – Empregado dos armazéns de encerados na C. P.
– Aníbal Gomes Luciano – Caixeiro da cantina na C. P.
– José Duque da Silva – Alfaiate
– Joaquim Pilré – Calceteiro
- Manuel Matias
- Francisco Ramos Rodrigues
- Artur das Neves Morgado


Fundadores e seus familiares


As primeiras reuniões foram realizadas em casa de Francisco Augusto Alves (na foto), na Rua 1º de Dezembro, passando, depois, a ter lugar nas instalações da Cooperativa Operária Barreirense “Os Corticeiros”. Aqui, além de reuniões, surgiram diversas iniciativas, como por exemplo a realização de bailes, tendo em vista a angariação de fundos para a aquisição de instrumentos musicais e outros fins prioritários, nomeadamente a Sede social, o que aconteceu pouco antes de Junho de 1933.

Para a História da Colectividade, transcrevo a 1ª acta da Direcção, realizada a 16 de Fevereiro de 1933, na Cooperativa Operária Barreirense “Os Corticeiros”.

Acta nº 1

Aos desasseis dias do Mês de Fevereiro de mil novecentos e trinta e três, reuniu a Direcção na sede da Cooperativa Operária Barreirense, estando presentes os seguintes membros. Presidente António José Cordeiro, Vice-Presidente António Dias da Silva, 1º Secretário Arnaldo Eurico Dionísio, 2º Secretário João Barradas, Vogais José Alexandre da Silva, José Gonçalves, Tesoureiro Artur de Almeida. Foi aberta a sessão pelas 21,15 horas, afim de ser aprovados as seguintes propostas: Rui Gonçalves, nº 134 – Domingos Costa, nº 135 – Ismael Lopes, nº 136 – Júlio dos Santos, nº 137 – Artur António Capucho, nº 138 – Henrique Jorge Valente, nº 139 – Manuel Pedro, nº 140 – José Matias Belmonte, nº 141 – Carlos Ferreira, nº 142 – António Bôsso, nº 143 – José Amado, nº 143. Não havendo mais nada a tratar foi encerrada pelas 22 horas.

Imperdoável se não registasse, igualmente para a História da Colectividade, o escrito mais antigo de um “Termo de Posse” dos Corpos Gerentes. Estávamos a 8 de Janeiro de 1936.



E porque uma Colectividade sem passado é uma Colectividade sem futuro, registo a 1ª acta da Assembleia Geral, a 26 de Dezembro de 1936.

Acta nº 1

Aos vinte seis dias do mês de Dezembro de mil novecentos e trinta e seis, reuniu esta colectividade pelas vinte horas na sua sede sita na Rua Bráz, com a presença de sessenta e sete sócios no uso dos seus direitos colectivos e civis, cuja a reunião teve por fins eleger os novos corpos gerentes para o ano de mil novecentos e trinta e sete. O Senhor presidente da mesa abriu a sessão à hora indicada no aviso distribuído aos sócios, tendo concedido quarenta minutos para tratar de quaisquer assuntos para antes da ordem dos trabalhos, tendo sido dada a palavra ao snr. Leonel d’Almeida, que pede para que seja levantado o castigo ao sócio snr. Custódio Ramos, visto ele não estar no seu juízo perfeito nessa ocasião que se deu a questão, apresenta como testemunha o snr. Manoel Moreira, visto este senhor ter presenciado o caso. Em seguida o snr. Ramos Rodrigues pede a palavra dizendo que quando regressou da viagem é que teve conhecimento do caso e que lendo uma carta dirigida não sei a quem. Depois de ter lido algumas palavras da carta, começou por analisando alguns pontos mais importantes, entre eles quando sita o arguido que a Direcção era autónoma, por sua vez como não conhecia estatutos pelo facto de se encontraram na tipografia, eis a razão que não citou artigos nem parágrafos. Em face deste diálogo o snr. Ramos Rodrigues leu nos Estatutos o artigo 6 do nº 4. Diz o seguinte. O sócio que tenha sido expulso pela Direcção poderá todavia recorrer para a Assembleia Geral, mas neste caso deverá fazer-se representar por um sócio legalmente autorizado. Outro ponto a frisar, diz o mesmo senhor, que se soubesse antes das resoluções tomadas pela Direcção, entraria para um grupo vizinho e então seria absolvido. Quanto a mim estas frases são dirigidas ao snr. Joaquim Domingos. Assembleia manifesta-se. Foi dada a palavra ao snr. Joaquim Domingos este snr. relata o que se passou no Baile da Pinhata quando o snr. António Ramos foi eleito Rei da Pinha, que praticou uma acção que não era digna para esta Colectividade. Foi dada a palavra ao snr. Manoel Moreira, este snr. não concordando com as resoluções tomadas para o snr. António Ramos, e á casos bastantes desconexos para a moral desta Colectividade, estando eu numa das dependências d’este Grémio, chamei a atenção do membro da Direcção que era o snr. António Xavier, para ver que alguns consócios se encontravam n’essa dependência, que não eram dignos de penetrarem n’este Grémio, por isso as acções que praticaram n’essa noite são consideradas mais criminosas pela falta de moral. Proposta do snr. Ramos Rodrigues, considerando que o procedimento do consócio snr. António Ramos, que se encontrava na situação de suspenso desde 9 de Julho último, foi e continua sendo menos correcta, não só para com a Direcção como também para com o presidente da presente Assembleia Geral. Considerando que estando suspenso pela Direcção, o referido consócio não pode assistir a esta Assembleia, como determina o nº 4 do artigo 6 dos Estatutos, tendo sido aprovada esta proposta por maioria. O snr. António Ramos foi mandado sair da sala pelo snr. presidente da Assembleia Geral. Uma proposta do snr. Joaquim Domingos propunha para que a Assembleia Geral se pronuncie sobre se as direcções devem ceder as suas salas para a realização de quaisquer benefícios a particulares, tendo sido aprovado por maioria em não ceder a sala. Proposta do snr. Joaquim Domingos, proponho para que seja nomeado director do quadro scénico deste Grémio o presado consócio Francisco Alves Rodrigues. Aprovado por unanimidade. Por motivo dos assuntos serem de alta importância que tinha fins a serem discutidos em Assembleia Geral de 27, ficou para o dia seguinte pela mesma hora pelo facto da hora ser adiantada. Aberta a sessão no dia 28 do mês às 20 horas tendo-se procedido à contagem das listas ficando assim constituído os corpos directivos que hão-de dirigir os destinos deste Grémio.


Direcção

Presidente ………….. Francisco Ramos Rodrigues
Vice-Presidente ….. Joaquim Amaral
1º Secretário ………. Herculano José Botelho
2º Secretário ………. António Xavier
Tesoureiro ………….. José Ferreira Pires
1º Vogal …………….. Aníbal Gomes Luciano
2º Vogal …………….. José Baptista Relvas
1º Suplente ………… José Vicente
2º Suplente ………… Augusto Pinto
3º Suplente ………… José da Cruz Barreto

Conselho Fiscal

António Baltazar
Joaquim Domingos
José Alexandre da Silva
Francisco A. Rodrigues e Januário P. Ramos (suplentes)

Assembleia Geral

Presidente ………….. Manoel António Fernandes
Vice-Presidente ….. Manoel d’Almeida
1º Secretário ………
2º Secretário ………. João Amaral

Por não haver mais assuntos a tratar foi encerrada a sessão da Assembleia Geral pelas 0 horas.

Barreiro 28 de Dezembro de 1936

Um ano depois, durante a Assembleia Geral de 30 de Dezembro de 1937, o sócio Manuel Joaquim Vaz pediu a palavra, e, atendendo à ordem de trabalhos, “Tratar de assuntos para o Grémio” – em causa a instabilidade directiva –, apresentou uma proposta que “iria resolver o assunto”, disse, por forma a que o Grémio encontrasse o caminho lógico do progresso. Proposta, com um texto magnífico, saliente-se, daí a razão de o mesmo surgir nesta “Historia da Colectividade”, que enunciava: “(…) Considerando que as colectividades de recreio, à semelhança de todas as colectividades bem organizadas, vivem, perduram, e conseguem por vezes atingir o fim para que se lhes deu vida, tendo por base: a Ordem, o Respeito, o Zelo e a Economia – Considerando que, para o conseguirmos da Ordem, do Respeito, do Zelo e da Economia, são necessários vários factores a considerar – Considerando que, além dos quatro pontos em foco, e dos factores a considerar, existem ainda mil e uma coisas a que se torna necessário atender, para que o equilíbrio se não perca, adentro da colectividade, onde se encontram englobadas muitas e variadas tendências, muitas e variadas opiniões e muitos e variados modos de ver – Considerando que, para se conseguir o desideratum, de uma Ordem bem compreendida, de um Respeito profícuo e do Zelo e Economia precisos, são necessárias qualidades e conhecimentos que nem todos nós, por melhor que nos julguemos possuímos – Considerando, digo, atendendo, a que, para a boa resolução de todos os pontos focados nos considerandos feitos, se deve ter sempre em atenção, a conscenciosa escolha dos elementos (sócios) existentes dentro das colectividades – Atendendo a que essa escolha quando conscenciosa, como disse, deve recair nos que mais qualidades de trabalho demonstraram; nos que tenham dado provas de preserverança e amor à colectividade (neste caso ao Grémio); nos que os dotes de inteligência superem os conhecimentos que não possuem, mas que adquirirão fácil; nos que mostrem ter vontade de dirigir ou de ajudar e, nos que ainda englobem todas estas qualidades – Atendendo a que não é boa praça indicarem-se para determinados cargos, e particularmente os directivos, indivíduos que após reiteradas pressões aceitem os mesmos logares, ou ainda os que aceitam por aceitar, ou pelo luxo (se luxo se lhe pode chamar) de ser directores – Considerando que por possivelmente (embora sem intenção) na junção dos elementos directivos eleitos em Assembleia Geral de 18 do corrente, não se atender devidamente aos factos apontados nesta proposta – Considerando nascer daí a origem do pedido de demissão, de alguns elementos eleitos, não por menos consideração pelos demais eleitos, mas sim por entenderam, que a falta de prática e de conhecimento desses elementos, ou ainda a sua prevista falta de assiduidade, não lhe garantia o poderem levar a efeito, com aquela hegemoneidade necessária ao muito que no Grémio há fazer – Considerando ser necessário acabar com desentendimentos que só prejuízos trazem – Considerando que todos os sócios devem ter em vista somente, o progresso do Grémio e o bom cumprimento dos primeiros considerandos feitos – Atendendo a que o presidente desta Assembleia agiu dentro do parágrafo terceiro do artigo 17º do capítulo 5º dos estatutos e ainda que em virtude da forma lacta como a convocação foi feita, esta proposta pode dar resolução ao assunto dentro da doutrina do artigo 21 do capítulo 5º, proponho: Que esta Assembleia Geral aprove que a Direcção eleita em 18 do corrente seja reconstituída, escolhendo-se dentro dela os elementos com os requisitos para o cargo, e indique os novos elementos que o devem completar (…)”.

Adiante.
Uma vez que estas instalações estavam degradadas e ameaçavam ruir, houve a necessidade de procurar outras, mais condizentes com os interesses da Colectividade, o que foi conseguido por compreensão do Dr. Caroço, ao disponibilizar um armazém frente à Escola Masculina Oficial nº 2, na Rua José Relvas. No entanto, após a realização de alguns melhoramentos, o local acabou por não ser nem inaugurado nem utilizado, devido à reprovação do Sub-Delegado de Saúde. Perante tal situação, o Grémio instala-se, em Junho de 1933, de emergência e provisoriamente no Páteo Ramos, situado na Rua Dr. Miguel Bombarda, nº 128, ficando a pagar uma renda mensal de 55$00, logo aumentada, dois meses depois, a partir de 1 de Setembro, para 115$00.

A 4 de Setembro desse mesmo ano, 1933, Manuel da Brenha pediu, pela cedência de um terreno onde se poderia construir uma Sede, a quantia de 15.000$00. Considerada incomportável, a proposta foi recusada pela Comissão Administrativa, composta por José Alexandre da Silva, como presidente, e pelos colaboradores Herculano José Botelho, José Baptista Relvas, Francisco Alves, António Braz, Guilherme Gonçalves Braga e José Luciano Benido, que decidiu promover novas diligências para o efeito.

A 1 de Novembro, ainda de 1933, foi constituída uma Comissão Pró – Sede: José Ramos, Herculano José Botelho, Francisco Alves, Guilherme Gonçalves Braga e António Braz. Como primeira prioridade desta Comissão, a de o Grémio possuir uma Sede em condições. Contactado o senhor António Brás, comerciante e proprietário de terrenos e prédios até no centro do Barreiro, no sentido de o sensibilizar para a cedência de um terreno onde pudesse ser construída uma Sede social condigna, logo acolheu com interesse a iniciativa. Na sequência do entusiasmo manifestado, além de solicitar ao Grémio um croquis para mandar executar uma planta, prometeu a construção de uma casa (Sede). Perante a situação, António Brás, segundo as contas dele, já “via” para dois meses e tal depois, durante as comemorações do 2º aniversário da Colectividade, 31 de Janeiro de 1934, o lançamento da primeira pedra da obra.

Entretanto, a 29 de Novembro de 1933, foram apresentadas pela Comissão Pró – Bandeira as cores por esta escolhidas; de fundo branco com duas listas em diagonal, de cores azul pavão e vermelho e, ao centro, uma lira. Também o emblema da Colectividade iria ter, obviamente, estas cores. Este projecto nunca se realizou, mantendo o Grémio a bandeira inicial, formada por duas partes iguais em preto e vermelho e, ao centro, como emblema, a caraça, que simbolizava a arte de representar, cores que se mantiveram até à data em que se deu a fusão com o Grupo Desportivo “Os Celtas”, 1944. Nessa altura, o preto foi substituído pelo azul e, ao centro, surgiu um emblema de forma triangular, com as quatro iniciais do actual Clube (C.D.I.R) sobre o plano superior do triângulo, e as restantes no seu interior de fundo branco, com cercadura amarela e uma lista azul e outra vermelha, no interior do lado esquerdo, de cima até ao vértice.

Em Setembro de 1934, o Grémio instala-se, a pagar uma renda mensal de 115$00, num lugar vulgarmente conhecido por “Barracão da Viúva”, situado nas traseiras do estabelecimento de bebidas do “senhor” Roque (filho da viúva), no nº 1 da Estrada da Quinta Grande. Nestas instalações prosseguiram as conversações com o senhor António Brás, sobre o pedido a ele formulado (terreno e construção da Sede), assunto só concretizado a 17 de Fevereiro de 1935, através de um acordo que consistia no seguinte; obra para a Sede social, orçamentada em 69.000$00, aprazada para ter início em princípios do mês seguinte, Março, ficando o Grémio a pagar uma renda mensal de 400$00 e não de 460$00, como inicialmente ele tinha proposto, e que, passados 6 meses, a renda passaria para 425$00, verbas exorbitantes para a época, diga-se. Quem era António Brás?

Natural de Cabaços, Alvaiázere, António Simões Brás (falecido a 28 de Novembro de 1937, em Lisboa) era homem de baixa estatura, atarracado, rosto avermelhado, de bom feitio e acessível; na época, e porque proprietário de terrenos e dos primeiros prédios de habitação na zona, logo apreciou, de perto, os esforços dos rapazes de então em quererem construir no seu Bairro, dizia ele, uma Colectividade. O velho Brás, assim conhecido, ao apadrinhar a ideia, mandou fazer o projecto, grandioso, para a sua Sede. Projecto que não foi avante devido à Direcção da altura temer que a sua renda, perante a “riqueza” da obra, fosse demasiada para as poses da Colectividade. Avançou então o projecto do imóvel existente ainda hoje, que os tempos e com eles a falta de conservação (a cargo de quem de direito), proporcionaram que fossem as sucessivas Direcções, e a enorme raça das suas gentes, a melhorarem radicalmente o edifício da sua Sede.

Rua Brás, relembra Carlos Silva Pais, que ainda se encontra ligada a populares observações - conhecidas pelos cidadãos mais velhos -, como “Eles moram lá p’rá Rua Brás!”, assim como “Est’autocarro passa p’la Rua Brás?”.

A construção da Sede teve início um pouco mais tarde que o previsto, a 11 de Julho de 1935, com uma festiva cerimónia de lançamento da primeira pedra e a presença, além de muitos amigos, das autoridades locais. Na altura, foi entoado o hino da Colectividade (de que se ignoram os autores da letra e música). Construção concluída em Janeiro de 1936, tendo a Direcção do Grémio reunido pela primeira vez, na nova Sede, na Rua Brás, nºs 4 e 6 (hoje Rua Dr. Manuel Pacheco Nobre, nº 124), a 4 de Fevereiro desse mesmo ano. Direcção essa composta por Joaquim Domingues, presidente, José Alexandre da Silva, vice-presidente, Francisco Ramos Rodrigues, 1º secretário, António Xavier, 2º secretário, António Baltazar, tesoureiro e Francisco Augusto Alves, vogal.
“(…) O edifício foi de facto construído para o Club e o seu custo deveria ser amortizado em pagamentos mensais. Ou porque os directores de então não quiseram assumir essa responsabilidade, ou por prejudicial interferência de terceiras pessoas, o certo é que tudo ficou na mesma e continuamos a pagar a renda mensal de quatrocentos escudos (…)” – palavras do presidente da Direcção, Arnaldo da Costa, em Julho de 1956.

“(…) De registar, ainda – escreveu Manuel Joaquim Vaz, no Jornal do Barreiro, de 4.3.1983 –, que durante todos estes anos (como inquilina), foi a própria Colectividade e a sua gente que, num esforço a todos os títulos notável têm suportado todos os afazeres (leia-se renovações) aquando das obras necessárias para que o edifício da Sede não caia num estado caótico. Relembro, como exemplo, que no início dos anos 80 foram substituídos barrotes, já podres, do chão do Salão, assim como o alargamento do palco, melhoria da parte eléctrica através de material mais moderno, balneários, situados na retaguarda do palco, totalmente restaurados, campo de jogos todo pintado em volta e adquiridas novas balizas, portão de entrada para o campo de jogos substituído por um novo. Obras que importaram em mil e seiscentos contos e que tiveram, além da participação da Colectividade, através da venda de rifas, treinos de futebol de salão e espectáculos diversos, ajudas da C.M. do Barreiro, empresa de construções Rabisocial e da Companhia de Seguros ‘O Trabalho’. Posto isto, é de registar que a enorme vontade do Clube é a de proporcionar aos seus associados um melhor conforto, assim como a criar e desenvolver um salutar núcleo de cultura e de desporto, tendo em vista uma maior familiaridade entre todos, uma melhor compreensão e, não menos importante, um maior entendimento social e humano (…)”.

Em finais de Setembro de 1940, foi recebido um ofício da Inspecção de Espectáculos, via C.M. do Barreiro, a comunicar à Colectividade que, por força da legislação da lei vigente e baseada no decreto-lei nº 29232, e ainda segundo o disposto no artigo 11º, a designação de “Grémio” teria que ser substituída, e com carácter de urgência. Assim, após conhecimento dos sócios, foi votada e aprovada na Assembleia Geral de 8 de Outubro de 1940, a denominação de “Club”, pelo que a Colectividade passou a denominar-se Club Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro. De imediato e através, igualmente, da C.M. do Barreiro, foi informada a Inspecção de Espectáculos da alteração proposta.

No início do ano de 1942, quando o valor mensal da cota era para os homens de 3$00, e para as mulheres de 2$50, foi discutido, proposto e aprovado, atendendo à insuficiência de receitas face às despesas, ao mesmo tempo que ajudaria a Colectividade a ter mais possibilidades de prosperar, o aumento das mesmas para 5$00 e 4$00, respectivamente para os homens e mulheres.

Ainda em 1942, junto ao edifício da Sede social (espaço que fazia parte do “bolo” aquando dos terrenos para a construção da Sede), foi inaugurado o recinto desportivo – na época tratado por “quintal” –, que servia não só para a prática de basquetebol e outros desportos, como para outras manifestações ao ar livre, bailes e espectáculos de variedades. De assinalar que neste início da década de 40, concretamente a 15 de Fevereiro de 1941, o Barreiro e arredores foram das terras do país mais severamente castigadas pelo ciclone. “Foi o maior temporal de que há memória”, contou quem o viveu. Para os barreirenses, um dia de pavor, de desolação, de angústia e de tragédia. Um dia em que o vento, enfurecido, assolou todo o casario, da pobre habitação às casas maiores, às instalações fabris, provocando desmoronamentos, levantamento de telhas, que voaram em todas as direcções, quebra de vidraças, ainda derrube de postes telegráficos e telefónicos, cortes de cabos de alta-tensão, arranque de árvores pela raiz... Também o rio, medonho, com a fúria das ondas lançou os barcos “Trás-os-Montes” e “Algarve” contra a muralha (a do Barreiro-Mar), com o primeiro a ficar com a popa em cima da Avenida marginal e o segundo, que se aprestava para seguir viagem com uma pesada e volumosa carga, de ovos, laranjas e bagagem diversa, a perder toda a mercadoria. Barcos que, em consequência dos enormes rombos que sofreram, foram considerados irremediavelmente perdidos. E, à outra muralha, a da “Avenida da Praia”, embora destruída em parte pela violência das águas do rio, se deve o não haver registado uma catástrofe maior: a inundação das ruas do Barreiro. No entanto pior mesmo, além dos imensos feridos vítimas de desabamentos e da chuva de milhares ou milhões de estilhaços, foram as duas mortes, uma criança de 5 anos, atingida pela queda de um muro, e um mendigo, um alentejano de 40 anos, que vivia numas furnas por detrás da rotunda da estação do Caminho de Ferro do Barreiro A.
Uma tristeza!

Mais. Ainda neste início dos anos 40 vivia-se, em grande parte da Europa, a 2ª Guerra Mundial. E que, embora país neutral, Portugal era dominado por uma profunda agitação social: da economia de guerra à inflação galopante, da contenção salarial aos despedimentos e ao desemprego, à escassez de géneros e à sua venda no mercado negro a preços inacessíveis para as camadas mais pobres – de um Portugal “eternamente” pobre –, e à sua saída do país com destino à Alemanha hitleriana e à Espanha franquista. Situação, impopular, que justificou a onda de protestos, motins populares e greves, como as que sucederam no Barreiro, Outubro / Novembro de 1942, nas fábricas da CUF, que culminaram em despedimentos e prosseguiram, em Julho de 1943, no dia 27, envolvendo, agora, outras instalações fabris da vila. Dizia um operário da CUF, trabalhador na Zona Têxtil: “(…) A greve começou na Mecânica (…) Aquilo foi uma coisa… ateou parecia um incêndio! Da parte da manhã, parou tudo lá em baixo! Parou a Caldeiraria, parou a Fundição, pararam os Adubos, parou tudo! Eles vieram ao nosso encontro, à Zona Têxtil! A gente ainda trabalhou esse meio-dia de manhã, que a gente não sabia bem o que se estava a passar, mas depois transmitiram! Eles vieram ter com a gente, a dizer que está tudo parado, temos de ir para a greve (…). De tarde entrámos para o trabalho. Não se ouvia uma mosca (…)”. No dia seguinte, ao serem impedidos de entrar na CUF pelas forças policiais, os operários deram meia volta e percorreram a vila em duas “marchas da fome”, apoiados pelos corticeiros e pelos operários da construção civil. Situações que provocaram, de imediato, não só uma feroz perseguição e repressão à gente do Barreiro e às suas instituições (com violência gratuita e prisões… e tanto sofreram as famílias barreirenses!), como ao nascimento dos nojentos “bufos” (homens, alguns deles “nossos amigos” – e nós sem sabermos que eram “bufos” –, que serviam a miserável polícia política do Estado, a PVDE, depois PIDE a partir de 22.10.1945), e à ocupação da famigerada GNR durante bastantes anos.

É, neste contexto, num ambiente de vivência não muito saudável, que na Colectividade surgem, através de gente de enorme consciência associativa – os abençoados milagres da família do 31 de Janeiro –, textos de uma riqueza ímpar, autênticas lições de dirigismo, como esta, emanada pela Direcção e lida na Assembleia Geral de 9 de Fevereiro de 1943: “(…) Porque é necessário deixar aos que nos sucederem a prova escrita e documentada do esforço produzido durante o ano da gerência que compete a cada Direcção. Porque é tradição, e possivelmente a lei, pelo menos a lei moral, criou encargos que há que respeitar. Porque a memória escrita é a que melhor perdura sem alteração, transmitindo de geração em geração, os elementos de estudo, de conferência e de análise, do trabalho, costumes e normas dos que nos antecederam, é que as Direcções apresentam sempre estes memoriais, quantas vezes apresentados por aqueles que melhor os deviam analisar e comentar conscientemente. E digo assim, porque raro se verifica a procura consciente da documentação e provas para em seguida se proceder à crítica serena, pautada e coerente, aos actos daqueles que procuram atravez de todas as dificuldades encaminhar o Club para melhores rumos, orientá-lo para função definida, e levá-lo sempre para mais altos desígnios, igualando-o, pelo menos, aos seus iguais, mais felizes porque vivem em situação desafogada, já que não é, pois, possível, ir além. Mas os consócios tem por hábito exigir muito e auxiliar pouco. Costumam reclamar pelo acto mais insignificante, vendo mal onde a maior parte das vezes há bem, colocando mais os nervos do que o cérebro ao seu serviço do que resulta, quase sempre, mal entendidos que se evitariam, se a coerência persistisse em vez da irreflexão.
Os sócios, porque os estatutos lhes conferem direitos, reclamam-nos a propósito de tudo e de nada, mas esquecem, no entanto, e isto constantemente, que os estatutos também lhes prescrevem deveres, dando assim azo, com tal maneira de proceder, a que se torne mais difícil o encargo que pesa sobre os indivíduos, a quem cabe a árdua missão de dirigir, orientar e administrar o Club. Para os sócios os directores só têm deveres, os seus direitos desapareceram perante a sua qualidade de Directores. E isto é esquecimento lamentável, e erro crasso, que seria conveniente não se dar. Todos deviam ter bem presente, que somos igualmente sócios cujos deveres e direitos são iguais. Na ideia de cada um devia fixar-se bem profundamente de que os directores não são donos – como uns lhe chamam – nem creados – como outros pensam – e que somente para o bom desempenho da sua difícil missão, tem de exercer com a devida autoridade os cargos que lhe foram confiados. Só assim o respeito pode subsistir, e as qualidades da Direcção podem ressaltar, pondo o director à prova o seu espírito de conciliação, o seu tacto, a sua educação e a sua inteligência, e o sócio a boa compreensão e a melhor das cooperações para que o bom entendimento seja um facto. O contrário só acarreta prejuízos quasi sempre de difícil recuperação e mal entendidos, em que todos sofrem material e moralmente, e que seria bem conveniente tratar de evitar sempre. Enfim, depreende-se de tudo isto, que do bom entendimento, recíproco, só advém o bem do Club. É isto verdade insofismável, que convém fixar, repetir, propagar e respeitar.
Ao bom sócio cabe não só respeito por si próprio, pelos seus consócios e pelo Club, mas também a propaganda a favor dele, do seu progresso, dos seus interesses, conseguindo novos sócios. Ao bom sócio cabe a defesa do Club, carregando para ele todos os auxílios, ainda que ele se encontre aquém dos seus congéneres, pois essa defesa e esse auxílio, que deve ser sempre sincero e desinteressado, daria azo a que se possa atingir o nível desejado. Ao bom sócio cabe ainda a compreensão nítida de trabalho desenvolvido por aqueles que dirigem o Club, pois que o contrário é obra puramente derrotista. A defesa de uma ideia só se consegue quando é feita intransigentemente, e não com desfalecimentos, meias tintas e sem convicção. Que todos o compreendam, que todos o pratiquem, que todos o auxiliem na medida do possível, e o Club será sempre o Club.
Aos homens que em 1942 coube o encargo de dirigir o Club, foi-lhes conferida uma missão difícil, e ao assim dizê-lo não faço uma afirmação errónea, pois todos conhecem bem que o Club atravessa uma crise económica difícil de superar, uma crise moral que se arrastava pelas ruas da amargura, e uma incompreensível crise de vontades de que resultara o descrédito.
Pode-se mesmo afirmar que o Clube se encontrava como metido numa camisa de forças, que o manietava, e de só poderosa força de vontade o tiraria. Está no entanto na edeia da lista de todos, as dificuldades encontradas para a constituição da lista para os corpos gerentes, e isto porque todos previam as dificuldades que encontrariam para o bom desempenho dos respectivos cargos. E de facto é necessário ser-se dotado de uma certa dose de atrevimento para se arrostar com responsabilidades difíceis de remover, e opor à descrença e ao pessimismo, a fé que faz crer e salva, e o optimismo que desenvolvendo energias contrapões à descrença a crença ilimitada nas possibilidades redentoras dos indivíduos, e soergue assim do nada, aquilo que aos homens é dado em vida. Começámos com um programa que não erguemos ao alto, como um estandarte a desafiar os elementos, mas que conservamos, modestamente, adentro das nossas vontades, para, desta maneira, o realizar-mos. Esse programa comportava várias fases, limitadas pelo que as circunstâncias impuzessem. E assim lançámos mãos ao trabalho. Resume-o, hoje, no entanto, nas fases seguintes:

1º - Ordem moral
2º - Disciplina
3º - Ordem material
4º - Método
5º - Crédito

Todas as fases têm íntima relação, e todas se subdividem, conforme a conveniência determinar, mas nada valem sem a devida correlação. Assim conseguimos que a ordem moral fosse um facto, e a maneira como o ano decorreu, sem atritos, sem as costumadas questiúnculas, sem as constantes Assembleias Gerais reveladoras da exaltação dos espíritos, diz-nos bem que assim é. O respeito verificado na sala e outras dependências do Club com o acatamento imediato às ordens dadas. O trabalho realizado pelo Grupo Scénico, actuando durante meses com a devida compreensão de todos. O auxílio e a ordem verificados durante a realização das festas, são indícios de que muito se conseguiu na primeira e segunda fases. O pagamento imediato ou a curto prazo do que se adquiriu durante o ano e que somou 18.666$15. O pagamento de pequenas dívidas vindas de outras gerências, e que totalizou 572$85. O fornecimento do bufete em conformidade com o numerário existente em baixa, e em que se gastou 7.298$20, dando uma receita bruta de 9.504$35, o que representa um lucro de 2.306$15. A confiança verificada por parte dos fornecedores melhorou o crédito do Club que se encontrava bastante baixo, confiança esta adquirida, é verdade, em parte, pela autoridade, crédito e disciplina pessoal dos directores, mas que deu azo a constatar-se a verdade da terceira fase, do que só temos a felicitar-mos. É verdade que o capítulo Ordem Material é dos piores. Os erras passados são difíceis de recuperar e de reparar. Deles se ressentirão todas as Direcções, enquanto não houver disponibilidades para pagamento integral do que deve o Club, mas tentar pagar dentro das possibilidades e as iniciativas para se conseguir numerário são elemento seguro, dentro dos males que nos apoquentam, da vontade de atingir o melhor dos resultados. O Método que impuzemos sempre aos nossos actos. A disciplina colectiva onde por princípio o exemplo e a comparência às sessões com o melhor desempenho do que a cada um era atribuído, são prova flagrante do conseguimento de todas as fases do nosso programa. Seria mentir se disséssemos ter a presunção de termos conseguido a unanimidade de aprovação para os nossos actos. Longe disso. Seria no entanto, o ideal. Damo-nos por satisfeitos, por termos agradado à parte sã, porque estamos convencidos que esta parte é aquela que ama o Club, a que nos ajuda, a que nos aparece, e a que pode criticar sim, mas sem verem e sem segundas intenções. Chegámos ao fim do ano socegadamente, embora trabalhando sempre, embora por vezes incompreendidos também, muitas vezes arreliados, muitas vezes desgostosos. Mas tudo isto são como soe dizer-se osso do ofício. Pela primeira vez ninguém quis fugir, ou desejou arredar-se para bem longe da Direcção. Contrariamente se verificou que ficaram uns e se substituíram os que pelos seus encargos resolveram sair. Tudo correu para isso, calmamente. Honra a todos. Não devemos esquecer que cada dia que passa novas dificuldades nos surgem. Não devemos esquecer que enquanto pagarmos pela renda da sede do Club 400$00 – isso agora – pois conseguimos uma redução de 25$00, a questão financeira é insuperável. Não devemos esquecer que para os encargos que o Club tem, os sócios são pouco. Não podemos nem devemos esquecer que para termos uma orquestra, o que é absolutamente indispensável, pois não se compreende uma casa de recreio sem ela, tivemos que dispender 1.233$40, o que é um ovo por um real, se compararmos o que pagam as casas que não possuem jazz privativo. E posso afirmar sem algum de desmentido, que apesar da resolução de se pagar ao jazz, este ano, pagamos menos do que em 1941. Não devemos esquecer que só para água e luz tivemos de dispender perto de 1.000$00 e que a tipografia vive connosco por indispensável e para ela vae uma receita mensal de aproximadamente 40$00 a 50$00. E desde que não nos esquecemos de tudo isto, que veja cada sócio no seu Club a sua casa de recreio, que cada sócio seja um amigo e arranje outro, o Club será sempre aquilo que deve ser. Um Club hunesto e digno, um Club que honra a terra, um Club, enfim, de que nos sentiremos sempre orgulhosos. Para traz os espectros do derrotismo, que em tudo vêm mal. Para traz os maus, os venenos, os secpticos, os incapazes de produzir alguma coisa de útil. Para traz quem não seja amigo. Conseguido isto, respeitando-se as Direcções, sancionando-lhes os actos, apreciando-as e fazendo-lhes a devida justiça, o Club singrará sem desfalecimentos. Se morrer, como profetizam os agourentos, morrerá mas não nas nossas mãos.
É isto que a Direcção de 1942 vos tinha para dizer

Felicidades a todos para o ano de 1943 Paz aos homens e serenidade nas almas Esperança e fé em melhores dias (…)”.

No início de 1936, um grupo de sócios pretende constituir equipas desportivas, nomeadamente de futebol (não permitidas pelos estatutos) e, como tal, fundaram, informalmente, uma Colectividade com o objectivo específico da prática desportiva, a que deram o nome de Grupo Desportivo “Os Celtas”, em alusão à bravura dos Celtas, um dos povos invasores da Península Ibérica. Anos depois, conversa puxa conversa, alguns sócios das duas Colectividades falam sobre a fusão das mesmas. De quem partiu a ideia? Não se sabe. Certo é que a 17 de Fevereiro de 1944, as respectivas Direcções reuniram, discutiram o assunto e trocaram impressões. De registar as palavras proferidas por Manuel Joaquim Vaz, quando refere “(…) que a fusão é apenas a união de duas colectividades que estão a viver precariamente, e não como alguns de cabeça oca dizem que nisto há interesses ocultos, e que se juntam para que possam singrar nos meios colectivos barreirenses, sempre de cabeça erguida, afim de se igualar às maiores colectividades da nossa terra… e que os sócios dos Celtas seriam recebidos no 31 de Janeiro de braços abertos, como se fossem sócios já antigos, pois que passarão a ter direitos iguais aos sócios antigos da nossa colectividade (…)”. Na mesma reunião, foi apresentada uma proposta, já acordada dias antes pelas duas Direcções e que iria ser discutida na Assembleia Geral do Grupo Desportivo “Os Celtas”, a 24 de Fevereiro de 1944, e na Assembleia Geral do Club Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro, um dia depois, a 25 de Fevereiro de 1944.
Proposta
O Grupo Desportivo “Os Celtas” e o Club Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro, propõem funcionar dentro das seguintes bases:
1º - Os sócios do Grupo Desportivo “Os Celtas” passam a fazer parte integrante do Club com todos os direitos e deveres a eles inerentes.
2º - O título do Club deverá ser modificado por forma a incluir nele o nome de “Os Celtas”.
3º - Que em princípio “Os Celtas” ingressem no Club logo que as Assembleias Gerais o aprovem, capitalizando-se mensalmente a importância considerada necessária para a modificação do título nos estatutos, ou autorização oficial para que a modificação proposta tenha lugar.
4º - Que o título do Club passe a ser “Club Dramático Instrução Recreio e Desporto “Os Celtas” e 31 de Janeiro.
5º - Que aprovada a fusão, as Direcções escolham entre si os nomes que constituirão a nova Direcção.

Barreiro, 14 de Fevereiro de 1944


Proposta aprovada por unanimidade nas Assembleias Gerais referidas. De mencionar que, na época, os presidentes de Direcção eram, do Club Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro, Manuel António Fernandes, e do Grupo Desportivo “Os Celtas”, Fernando Nascimento, e presidentes da Mesa da Assembleia Geral, Francisco Ramos Rodrigues e Bernardino Rodrigues Cortinhal, respectivamente do Club Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro e do Grupo Desportivo “Os Celtas”. Posto isto, a nova instituição, que passou a denominar-se Club Dramático Instrução Recreio e Desporto “Os Celtas” e 31 de Janeiro, tendo em vista a unificação, integração e potencialização de todos os seus recursos, considerou o seguinte; só com promoção, fomento e desenvolvimento em melhores e mais fortes condições, as actividades culturais, recreativas (já da vocação da primeira) e desportivas (ligada à segunda), eliminando assim, qualquer possibilidade de dispersão de vontades, meios e a divisão entre os sócios comuns, podem e devem proporcionar um melhor serviço para o conjunto de todos os seus associados. Apenas um apontamento, simples, de uma Colectividade com um profundo sentido do que representa a Cultura. Na margem esquerda da folha ofício utilizada na época de 1944 – desconheço se igual utilizada em anos anteriores e posteriores –, estão impressos os seguintes 6 pensamentos:

- O Colectivismo é um poderoso propulsor da educação.
- Aos homens não é dado deterem a marcha das ideias, quando estas hajam penetrado nas almas. (G. Le Bom)
- A Verdade é uma arma demolidora da hipocrisia e da calúnia; ela é uma virtude que devemos respeitar.
- Que o livro escolhido seja para nós um companheiro: conversemos com ele. A leitura não pode aproveitar senão nestas condições. (Diderot)
- A vida dos bons por mais que dure é sempre curta. (B. Brito)
- Estudar é saber.
Na histórica 1ª Assembleia Geral, após a fusão das duas Colectividades, realizada a 14 de Março de 1944, o Relatório e Contas da Gerência do ano anterior dizia, a certa altura “(…) Mil novecentos e quarenta e três, caracterizou-se por um início de bom trabalho no sentido moral e material do Club, esforços que têm sido o principal lema das últimas gerências, e que infelizmente nem sempre têm sido coroados de êxito. No entanto a persistência dos homens de boa vontade têm conseguido que estejamos quasi perante as realidades. Passados os primeiros meses decaiu-se por virtude dos sucessos ocorridos na vila que têm a sua filiação nos males que convulsionam o mundo, e que inevitavelmente têm que se reflectir nos seus agregados, sejam de maior ou de menor valor. Alguns meses decorreram depois, num mal estar que deixou os seus resultados na dispersão das vontades que mantinham a Direcção unida, e que deixou de se verificar. Apesar disso, tudo se foi recompondo, embora muito lentamente, e o fim do ano chegou com o Club em franco trabalho de renovação. Verifica-se um aumento crescente da massa associativa, não só com a inclusão dos nomes novos como o ingresso daqueles que tendo dado vida ao Club depois de se afastarem por uma incompreensão lamentável de que o Club foi o único a sofrer os resultados. A Direcção congratula-se pois por os ver nas lides recreativas a dentro do Club, fazendo votos para que se mantenham, afastando agravos e mal entendidos, que só aos homens de má vontade podem fazer mossa. Enfim, tudo se vai recompondo, e podemos afirmar que mil novecentos e quarenta e quatro, será um ano próspero apesar das dificuldades que sempre surgem. Se nos enganarmos, resta-nos a consolação do nosso desejo, para que o Club entre no caminho de franca prosperidade. Conseguiu-se, mercê da boa vontade dos seus elementos, que a “Troupe Jazz” subisse de valor, emprestando-se-lhe para isso toda a boa vontade. A comparticipação de novos elementos artísticos trouxe-lhe valor sensível, e a aquisição de uma trompete, permitiu, que com a troca de um saxofone por obsequiosa deferência da Sociedade Democrática União Barreirense, possamos ter a satisfação de possuir uma orquestra que não nos deslustra. A aquisição das estantes – complemento indispensável – a um conjunto onde a beleza da apresentação deve corresponder ao valor, foi possível, mercê da boa vontade de todos os que compreendem o que vale o auxílio colectivo. É necessário fazer-se mais um esforço em benefício da “orquestra”, para que mais e melhor consiga atingir o seu fim, honrando o Club, mas isso irá sendo feito lentamente e à medida das possibilidades e auxílio que nos forem prestados. Poderão objectar-nos que o Club paga aos executantes. Aos que assim pensam objectar-se-há que mal colocada estaria a Direcção que não tivesse enveredado por tal caminho. Para se exigirem deveres, necessário se torna dar-se directos. Fixe-se no entanto que a Direcção paga em relação ao contrato estabelecido com o notável agrupamento artístico da nossa terra, que é a “Orquestra Royal”. Esse contrato é vantajoso sobre qualquer aspecto. A orquestra abrilhanta as nossas reuniões familiares, traz consigo os seus admiradores, e nós também só lhe pagamos na medida das possibilidades. À que salientar aqui, para que fique registado para os que nos seguirem, os esforços desenvolvidos, pelo Grupo Scénico no sentido de melhorar a sua acção cultural. O esforço desse agrupamento, geralmente mal compreendido, é absolutamente indispensável e sem ele o Club viverá com maiores dificuldades. Pena é que esse esforço não resulte absolutamente propício pela falta de colaboração, consequência de ideias bolorentas, e já sem razão de existir, mas que ainda persistem em pessoas que se dizem modernas. Temos pois que ajudar o Grupo Scénico, a bem cumprir a sua missão, congregando esforços. O tempo tem-nos ensinado que as suas queixas são aceitáveis, e de que para bem servirem há que melhorar as suas condições de trabalho. Nada se lhes dá em relação ao esforço produzido e mal vai para os mal intencionados, que em tudo vêm mal. Também a secção desportiva começou a despertar do marasmo em que se mantinha e a sua acção vai resultando profícua e muito melhorará com a inclusão dos elementos vindos do “Grupo Desportivo Os Celtas”, com quem ultimamente foi acordada a fusão e cujas demarches para a sua oficialização vem decorrendo. Quanto à secção bibliotecária que começou muito bem, dentro em pouco descaiu por falta de orientação condigna, que atingiu ponto grave, destoando do conjunto do trabalho que se vinha verificando, encontrando-se ainda pendente o processo que aclarará o que se passou e lhe dará o devido remate. Fazemos votos, para que a nova Comissão Bibliotecária, faça trabalho mais profícuo e seja mais feliz. Cumprimos um dever agradecendo a colaboração que nos tem sido prestada pelo Manuel Joaquim, esposo da contínua Emília Maria, que com o seu trabalho de reparação de mesas e cadeiras muito facilitou o trabalho da Direcção que teria de pagar tais reparações que seriam de vulto, dada a maneira como as cadeiras e mesas são tratadas por quem as utiliza. Também não é demais elogiar o trabalho de colaboração feito pela contínua e pelo cobrador, dois elementos sérios e de valor com que contamos. Pena é que tal não seja devidamente compreendido, suscitando-se por vezes questões, que seria conveniente evitar, recorrendo-se, sempre que haja desacordo, a quem foi confiada a missão de dirigir. Para terminar cumpre-nos dizer que o Club movimentou em mil novecentos e quarenta e três, a importância de dezanove mil tresentos e dezanove escudos e sessenta e cinco centavos, assim distribuídos: Renda da casa – três mil e seiscentos escudos; Corpo Scénico, Jazz e licença Bailes Carnaval – três mil duzentos e trinta e três escudos e vinte e cinco centavos; À Câmara Municipal de licenças, e de água e luz – novecentos e dezasseis escudos e quarenta e cinco centavos; Compras para o Bufete – oito mil duzentos e oitenta e três escudos e vinte e cinco centavos; Pagamento à contínua – quinhentos e cincoenta escudos; Percentagem ao cobrador – quinhentos e quarenta escudos e setenta centavos; Pagamento de ??? – setecentos e quarenta e sete escudos e sessenta centavos; Pagamentos diversos – seiscentos e trinta escudos e cincoenta centavos. Registou-se um saldo de oitocentos e dezassete escudos e noventa centavos. Terminando a Direcção agradece a colaboração que os homens de boa vontade lhe prestam, fazendo votos para que o Club continui singrando no bom caminho, trabalhando todos no sentido da sua elevação moral e espiritual, carecendo para ele sócios e fazendo a sua propaganda em todos os sectores (…)”.

Igualmente histórica é a 1ª reunião da Direcção, após a fusão das duas Colectividades, que teve lugar uma semana depois, a 21 de Março.

Aos vinte e um dias do mês de Março do ano de mil quatrocentos e quarenta e quatro, reuniu pelas 22 horas em sessão extraordinária a Direcção do Club Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro, no gabinete das sessões na sua sede situada na rua Bráz, no Barreiro. Compareceram os consócios directores Manuel António Fernandes, presidente, Manuel Joaquim Vaz, vice-presidente, João da Silva Fuste, secretário, Francisco Pereira, tesoureiro, António Pires Parreira, Inácio Assunção Ferreira e Leovegildo do Nascimento Ferreira, vogais. Compareceu o secretário do Conselho Fiscal, o consócio Guilherme Gonçalves.
É a primeira reunião da Direcção remodelada em virtude da fuzão com o Grupo Desportivo “Os Celtas”.
Apreciação de um ofício do sr. José Raul Correia que ofereceu a realização de um espectáculo pela importância de 300$00.
Resolvido não aceitar a oferta devido à importância elevada que é pedida para o efeito. Mais foi resolvido oficiar-se dando conta da resolução tomada.
Apreciado um ofício da Comissão Bibliotecária solicitando autorização para realizar uma festa que teria por título “Noite de Pensamentos”, para a realização da qual necessitam preparar a sala. Como no entanto a Comissão não tem verba, e sejam necessários 30$00 para o arranjo da sala, pede à Direcção para ceder essa importância.
Foi resolvido concordar e ceder a importância pedida.
Foi apreciado um ofício do Grupo Dramático e Recreativo do Alto dos Silveiros, que pediu para que o Grupo Dramático ali realizasse um espectáculo no dia 9 de próximo mês de Abril.
Resolvido que o ofício baixe à apreciação do Grupo Dramático para resolução definitiva.
Mais foi resolvido que as sessões da Direcção tenham lugar às terças-feiras de cada semana.
O consócio tesoureiro, lembrando a propósito da necessidade das modificações a introduzir no Club, que da importância da Comissão Desportiva, tanto mais que a maior parte da importância em poder da Comissão, adveio do Grupo Desportivo “Os Celtas”, com a sua fuzão com o Club, e que essa importância é natural e justa que seja empregue uma parte, pelas necessidades da Direcção, lembrando que sem ela não é possível iniciar-se o que há a fazer. Os restantes membros da Direcção manifestaram-se em concordância com o consócio tesoureiro.
Presente alguns membros da Comissão que ficaram de apreciar o assunto em sessão da Comissão Desportiva para resolução.
Foi feita a designação dos directores de serviço, que foi feita pela seguinte ordem.
Primeiro, Leovegildo do Nascimento Ferreira. Segundo, Acácio Urbano Alves. Terceiro, João Domingos. Quarto, António Pires Parreira. Quinto, Inácio Assunção Ferreira. Sexto, António Rodrigues.

Como nada mais houvesse a tratar, foi encerrada a sessão e lavrada esta Acta por mim, secretário, que a assinei, bem como todos os directores presentes
Barreiro, 21 de Março de 1944


Entretanto, a Federação das Sociedade de Educação e Recreio, ao considerar a denominação da nova Colectividade muito extensa, ainda para mais com a designação “Club” ser estrangeira, sugeriu que a denominação fosse “Grupo de Cultura e Desporto Os Celtas e 31 de Janeiro”, com a obrigatoriedade que dela fosse dado conhecimento à Direcção Geral dos Desportos, Educação Física e Saúde Escolar, dependente do Ministério da Educação Nacional. Por força de tais condicionalismos, foi então decidido pelos Órgãos Sociais da Colectividade, que a denominação definitiva, embora não oficializada, passasse a ser, Clube Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro “Os Celtas”.
Escrevia Manuel Joaquim Vaz, grande amigo da Colectividade, no “Jornal do Barreiro” de 10 de Agosto de 1950.

“(…) A parte antiga do Barreiro – a vila, como é costume chamar-se – exerceu desde sempre particular atracção sobre todo o habitante do Barreiro. Este sortilégio ainda hoje conserva o seu pendor e a ‘tirania’ mantêm-se e manter-se-á talvez pelos tempos fora, estamos em crer.
Todo o bom barreirense cuida sempre pouco dos quilómetros que tem que andar (mas é já bem grande esta nossa terra), se as horas de alegria e de prazer que ele procura tiverem por ambiente o cenário que o fascina – a ´vila’ –, seja a festa nos Franceses, nos Penicheiros ou no Parque. Nunca foi possível, por isso, conseguir que do outro lado da vila a vida associativa atingisse o brilhantismo que seria de desejar. Como nunca foi possível – e sê-lo-á alguma vez? – reunir ao redor da escassa meia-dúzia dos sacrificados do ‘31 de Janeiro’ ou dos ‘Leças’ um número de sócios suficientemente capaz de guindar estas colectividades modestas a um plano superior, onde lhes não seria difícil competir mais igualmente com os Penicheiros ou Franceses. Esta indiferença condenável das pessoas que mais deviam acarinhar aquelas colectividades, traz como resultado pouco aprazível, uma vida de dificuldades financeiras insuperáveis que retardam de maneira considerável o seu desenvolvimento, um refreamento da vontade dos ainda corajosos, pois, em boa verdade, que possibilidades tem um Clube que, como o 31 de Janeiro, dispõe apenas de 300 sócios, aproximadamente, com uma quotização que não vai além dos 900$00 mensais? (…)”.


Apesar de utilizada, tanto a nível interno como nos documentos oficiais a denominação de Clube Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro “Os Celtas”, a Colectividade continuou inscrita como Grémio Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro, isto porque nunca foram, esta e as outras alterações desde a sua fundação, comunicadas às entidades públicas.

Só a 17 de Setembro de 1985, por escritura pública (fl. 10 vº a fl. 11 vº do livro de notas para escrituras diversas nº 364-A) do 1º Cartório Notarial do Barreiro e outorgada pelos associados Eugénio Pires Marques, Manuel Pereira Salgueiro, Francisco José Gonçalves e Francisco José Rodrigues, foi formalizada a alteração dos seus Estatutos (discutidos um a um e aprovados em Assembleia Geral de 28 de Setembro de 1984), que passaram a ter apenas 9 artigos, onde ficou, definitivamente registada, a denominação Clube Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro “Os Celtas”.

O extracto da escritura em questão foi publicado no Diário da República – III Série – nº 238 – pág. 11213 de 16/10/1985.
Imediatamente após esta publicação, foi emitido ao Clube o Cartão de Identificação de Pessoa Colectiva, com o nº 501 411 798, constando nele que a constituição legal do Clube foi a 4 de Novembro de 1935, data em que a Colectividade registou os primeiros Estatutos no Governo Civil de Setúbal, que os aprovou, embora a sua fundação fosse a 31 de Janeiro de 1932. A partir de então, o Clube passou a ter os seguintes fins: promoção cultural dos sócios, através de educação cultural, física e desportiva e acção recreativa, visando a sua formação humana integral.

Em 1990, conforme publicação no “Diário da República” – II Série – nº 145 – pág. 6800 de 26/6/1990, foi atribuído ao 31 de Janeiro o estatuto de “Pessoa Colectiva de Utilidade Pública”, mérito arduamente conquistado pela intensa e diversificada actividade que sempre promoveu, fomentou e desenvolveu com dedicação, e pelo serviço público que sempre prestou à sociedade. Estatuto que, no fundo, já lhe havia sido previamente reconhecido pelas entidades públicas e privadas, com quem se relacionava e ainda, institucionalmente, se relaciona. Distinção esta que se encontra gravada numa pedra mármore, colocada na parede junto à porta de entrada de Sede, o nº 124 da Rua Dr. Manuel Pacheco Nobre, com os seguintes dizeres:


A crise, histórica.

A par de períodos mais e menos felizes ao longo da sua existência, registe-se aquele onde surgiu, creio, a maior “crise directiva” na vida do 31 de Janeiro, que incluía uma “situação financeira” desastrosa. Tudo aconteceu no dealbar do século XX. Sem surpresa, após tempos de atritos, foi convocada uma Assembleia Geral que teve, como ponto único, a “Análise da situação do Clube”. Estávamos a 24 de Fevereiro de 2000. Muitos sócios aqueceram os ânimos, acusando este e aquele, e sugerindo a melhor solução, a melhor proposta. Enquanto isto foi nomeada uma Comissão de Avaliação. Ainda nesse ano, nova Assembleia Geral, a 4 de Agosto, para conhecimento do relatório da dita Comissão e das directrizes estudadas para tirar o Clube da crise. Tornaram as discussões, acesas, na maioria, até que Manuel de Lima Correia, vice-presidente da Assembleia Geral, apresentou a seguinte proposta, aprovada por maioria. – Que os membros da actual direcção cessem de imediato as suas funções, dado que o mandato terminou em Abril.
– Que a Comissão Administrativa, aqui proposta, tome posse a quinze de Agosto de dois mil.
– A Comissão Administrativa (constituída por Manuel de Lima Correia, Manuel Pereira da Costa, Silvano da Graça Lopes, Henrique Rodrigues das Neves e Jorge Manuel Matos dos Santos) trabalhará com os seguintes objectivos:
a) Organizar e estabilizar o Clube.
b) Pagamento total do passivo.

Um ano depois, a 26 de Janeiro de 2001, na reunião extraordinária da Assembleia Geral – onde se definiu que a partir daquele dia a Colectividade poderá designar-se, abreviadamente, por CDIR 31 de Janeiro “Os Celtas” –, foi apresentada, após trabalho aturado, a proposta/estudo da Comissão Administrativa que, no fundamental, procurava atingir os seguintes objectivos, todos eles considerados urgentes. Naturalmente que a proposta foi aprovada por unanimidade. 1) Concluir a recolha, a organização, a análise cuidada e a verificação das contas do período compreendido entre 7 de Setembro de 1998 e 15 de Agosto de 2000, tendo em vista a sua mais rápida apresentação, bem como dos respectivos relatórios de actividades da Direcção e dos pareceres do Conselho Fiscal ou da Comissão Fiscalizadora de Contas em exercício durante este período, e dos documentos referentes ao mandato dos Órgãos Sociais anteriores, à apreciação, discussão e votação da Assembleia Geral do Clube.
2) Apurar, com todo o rigor possível, o valor correcto do passivo do Clube e anulá-lo.
3) Adoptar as medidas adequadas, no sentido de melhorar a organização administrativa e económico-financeira do Clube.
4) Promover a execução de obras de reparação dos telhados, do salão/ginásio e do bufete do Clube, no sentido de garantir a maior segurança a todas as pessoas que frequentam ou utilizam estes espaços e os que lhes estão subjacentes.
5) Aplicar as medidas de gestão convenientes para o melhor, mais racional e menos oneroso funcionamento dos recursos humanos ao serviço da Colectividade.
6) Estudar e propor à Assembleia Geral do Clube, um novo modelo do processo de emissão de quotas, bem como a actualização do seu valor.
7) Elaborar um ante-projecto de alteração aos Estatutos do Clube e apresentá-lo para apreciação, discussão e votação na Assembleia Geral.
  a) Tendo esta Comissão Administrativa sido confrontada com uma situação bastante mais grave do que então esperava, viu-se forçada a promover, com toda a urgência, todo um conjunto de diligências e providências que acautelassem o futuro, o prestígio e a história do Clube, o que, por sua vez, deu origem a outras novas e mais delicadas acções que, por isso mesmo, ainda não estão totalmente concluídas e que carecem de um acompanhamento permanente, atento, sensato e cuidado.
  b) Por força dos subsídios que, em Novembro de 2000, nos foram concedidos pelo executivo da C. M. do Barreiro para actividades desportivas, culturais e recreativas (e não para pagar impostos, passivo ou obras, como se andou a fazer constar por alguns sócios que sobre o assunto nada sabem) realizados até esse mês, em curso e a realizar até ao fim desse ano, esta Comissão Administrativa em funções se sentiu na obrigação de, para além da tradicional Festa de Natal, realizar algumas actividades desse cariz, nomeadamente a Noite de Fados (que foi um grande sucesso cultural, recreativo e financeiro) e a Passagem de Ano, o que lhe consumiu um tempo precioso para concluir a sua “missão”, como se tinha proposto a si própria.
  c) Estando prevista, no Regulamento Geral Interno do Clube, a realização de eleições para os seus Órgãos Sociais, no fim do mês de Maio, esta Comissão Administrativa em funções propõe:
    1) Que seja ratificado o seu mandato de 1 de Janeiro de 2001 até esta data.
    2) Que tal mandato seja prorrogado desta data até fim de Maio do corrente ano.
Duas semanas depois, a 9 de Fevereiro, nova reunião extraordinária da Assembleia Geral. Na ordem de trabalhos, “Apresentação, discussão e votação do projecto de alteração dos estatutos do Clube, elaborado pela Comissão Administrativa, após prévia auscultação dos associados”. No final, a Assembleia Geral, por unanimidade, deu toda a confiança à Comissão Administrativa para que procedesse às correcções ou ajustes formais do texto; que o fez, alterando os Estatutos de forma a torná-los mais adequados à actualidade e realidade do Clube – com o capítulo 1, artigo 2º, nº 2, a sofrer ligeiro acrescento, depois de proposto, votado e aprovado em Assembleia Geral de 9 de Março de 2013: “São do interesse colectivo de todos os associados, as actividades culturais e desportivas, tais como ginástica, danças, artes marciais, etc., mesmo que não as pratiquem”, assim como acrescentado ficou o nº 3 de igual capítulo e artigo: “A Direcção, com vista a custear as actividades culturais, recreativas e desportivas, pode decidir cobrar uma quota suplementar para os utentes das mesmas”. A 20 de Abril desse ano de 2001, mais uma reunião extraordinária da Assembleia Geral, com a Comissão Administrativa a informar os presentes de se encontrar, finalmente, de posse de todos os documentos contabilísticos e financeiros, bem como de relatórios e pareceres, “a fim de serem devidamente organizados, cuidadosamente analisados e fiscalizados, no sentido de serem processados correctamente e posteriormente comparados para darem lugar à inevitável avaliação e aos consequentes relatórios e pareceres efectivos”. Ainda, perante uma plateia atenta, Manuel de Lima Correia informou que “a situação financeira e económica da Colectividade – que procura a recuperação da sua dignidade e credibilidade como Colectividade de “Ordem, Respeito, Zelo e Economia”, assim designada por Manuel Joaquim Vaz na Assembleia Geral de 30 de Dezembro de 1936 – está totalmente controlada e que o passivo está praticamente liquidado. Mais disse “que a missão da Comissão Administrativa estava quase a 100% cumprida, faltando apenas a actualização das quotas e um novo modelo de processamento, pagamento e cobrança delas, para atingir, com sucesso pleno, todos os objectivos que propôs ao sócios na reunião extraordinária de 4 de Agosto de 2000”. Cerca de um mês depois, a 18 de Maio de 2001, noutra reunião extraordinária da Assembleia Geral, foi finalmente apresentado, discutido e votado, e aprovado por unanimidade, o relatório sobre as contas da Colectividade, referente ao período de 7 de Setembro de 1998 e 15 de Agosto de 2000, incluindo, embora este período pertença à gestão da Comissão Administrativa, o de 16 de Agosto de 2000 a 30 de Abril de 2001. Relatório só possível porque feito de paciência, rigor, exigência e realidade, com uma análise profunda da situação económica-financeira da Colectividade, por forma a criar as melhores condições possíveis para que no futuro não voltem a repetir-se situações semelhantes. Embora os “louros” deste trabalho digam respeito a todos os homens da Comissão Administrativa – pela competência, dedicação e capacidade por zelarem, defenderem e dirigirem os superiores interesses do seu Clube –, um deles, lê-se na acta desta Assembleia Geral, “merece um relevo especial: Silvano da Graça Lopes”.

Debelada a crise, repito, histórica – embora existisse, ainda, um conjunto de trabalhos no sentido de colocar a Colectividade como “nova” –, analisemos, ao de leve, o porquê da situação, menos feliz, vivida pelo 31 de Janeiro. Recuando um pouco, lê-se, na acta da reunião extraordinária da Assembleia Geral de 18 de Maio de 2001, quando da explicação sobre o assunto a cargo de Manuel de Lima Correia, da Comissão Administrativa: que “não se verificou, ou provou, que tivesse havido roubo, desvio ou utilização indevida de quaisquer verbas ou valores do Clube, por quem quer que seja, sendo que o resultado da gestão deste período até foi relativamente positivo, atendendo às circunstâncias em que decorreu, ou seja, instalações, equipamentos e materiais envelhecidos, degradados e inadequados, inexistência de uma estrutura orgânica funcional e eficaz, grande maioria dos dirigentes muito jovens e sem experiência, crescimento desmesurado das actividades deste clube (especialmente do futebol de salão), desmotivação dos empregados e dos colaboradores, negligência (por cansaço, ou desmotivação, ou razões de ordem familiar e/ou profissional) de alguns dirigentes mais velhos e com mais experiência…” E ponto final!

Mudemos de assunto.

O Clube é membro das seguintes instituições: » Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, com o nº 243 – desde 25 de Julho de 1941 (com Diploma)
» Federação Portuguesa de Damas – desde 1980
» Federação Portuguesa de Futebol de Salão – desde 1988; também fundador da Associação de Futebol de Salão do Distrito de Setúbal
» Federação Portuguesa de Ginástica – desde 1989
» INATEL – Instituto Nacional de Aproveitamento dos Tempos Livres – desde 18 de Maio de 1990 (com Certificado)
» Federação Nacional de Karaté de Portugal – desde 1998; igualmente fundador da Liga Nacional de Karaté de Portugal

Em virtude do imenso esforço e dedicação pelo trabalho realizado em prol da comunidade, na qual está inserido e, especificamente, dos seus associados, amigos e simpatizantes, sobretudo das camadas jovens e mais idosas de ambos os sexos, foram-lhe atribuídas, entre outras, as seguintes distinções: »Medalha de Ouro de “Mérito Associativo”, pela Câmara Municipal do Barreiro – 1982
»Diploma de Mérito Associativo, pela Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto – a 31 de Janeiro de 1982 (50 anos de vida)
»Estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública – 1990
»Prémio de Valor Associativo, pelo jornal Voz do Barreiro – 1999
»Atribuição do nome do Clube à ex-Rua J, da Urbanização dos Fidalguinhos, na freguesia do Lavradio – 2001
»Medalha de Prata de Mérito Municipal, pela Câmara Municipal do Barreiro – 16.6.2003



Ainda sobre distinções, a Direcção, quando da Assembleia Geral de 2 de Fevereiro de 1948, propôs para Sócio Honorário, que foi aprovado por aclamação, o Corpo de Bombeiros dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste, “(…) por desinteressadamente fazer serviço nos bailes que se realizam no nosso Clube, o que não é notado nas outras corporações (…)”.

Outra proposta da Direcção para Sócio Honorário, igualmente aprovada por aclamação, aconteceu na Assembleia Geral de 4 de Dezembro de 1952, quando de uma homenagem a Agostinho Nunes, médico, “(…) pelos serviços prestados não só à Colectividade, mas à população pobre do Barreiro, que muito lhe deve (…)”.

E mais outra proposta para Sócio Honorário, vinda da Direcção, isto na Assembleia Geral de 9 de Janeiro de 1973, quando diz, referindo-se ao sócio José Marques, “no sentido de perpetuar o nosso agradecimento a tão exemplar espírito de colectivismo”, e acrescenta, mais à frente “(…) devido aos inúmeros serviços prestados à Colectividade que, num gesto sem precedentes no nosso Clube, não só acompanhou de perto as obras levadas a cabo no ano transacto, como com seu prejuízo nos cedeu por empréstimo durante cerca de seis meses uma betoneira, o que equivale que só por isso nos evitou despesas de alguns milhares de escudos (…) pelas suas dádivas em materiais, e só por elas, se conseguiu a cobertura da parte norte do nosso quintal e feitura dos balneários ainda em acabamento (…) a ele se deve ainda a quase totalidade da construção do nosso café (…) ainda pelas várias dádivas monetárias (…)”. Tal como as outras, a proposta foi aprovada por aclamação.

Dentro das actividades que desde sempre o Clube tem vindo a promover, fomentar e desenvolver, destacam-se, na área de Cultura e Recreio, a biblioteca.

Embora criada por Manuel Joaquim Vaz, Ernesto Bizarro Carolo e Mário Martins Paixão, e a funcionar desde 1935, o regulamento, elaborado por eles próprios, só foi discutido e aprovado na Assembleia Geral de 7 de Junho de 1939. De registar que dois dos seus 11 artigos informavam – num tempo em que as bibliotecas e os livros eram parte integrante e importante na vida de muita gente –, que o seu funcionamento seria, de 2ª a 6ª, das 20 às 23 horas, aos sábados prolongava-se até às 24 horas, e que aos domingos e feriados encerrava, e que os livros seriam gratuitos para os “sócios da biblioteca” no seu 1º período, de 20 dias, ao passo que para os outros sócios a importância a pagar era de $50, assim como nos demais períodos, sempre de 20 dias, a divisão era a seguinte: 2º período, $50 – 3º período, 1$00 – 4º período, 5$00 – e 5º período, 10$00, com os tais “sócios da biblioteca” a usufruírem do desconto de 50% nos períodos 4º e 5º.

Os primeiros bibliotecários, pioneiros de uma enraizada cultura que teve como discípulos os chamados “ratos das bibliotecas”, foram, que menciono e louvo, Manuel Joaquim Vaz, Ernesto Bizarro Carôlo, Mário Martins Paixão, José Pedro Trindade Duarte, João de Sousa Belchior, António Gonçalves, António Nunes de Sousa, Francisco Nunes, José Romano Zacarias, Evaristo Rodrigues, Armindo António Bravo, Valter Monteiro, José Ferreira, Manuel Nicolau de Oliveira, Deodoro Neto, João Domingues, Eduardo Loução, Joaquim Godinho, Acácio Alves, Francisco de Almeida, Jorge Eugénio Rodrigues, Leonel de Almeida, João Domingos Costa, Agripino José Botelho, José Pinto Viegas, Manuel Lopes e Casimiro da Silva.

Um aparte.
Quando do balancete geral relativo ao ano de 1942, é salientada “a forma próspera em que a biblioteca se encontra, pois que independentemente do aumento do custo dos livros, o balancete, com a Despesa de 388$25 e a Receita de 586$95, dá conta de um saldo positivo de 198$70”.

Biblioteca que, hoje, com cerca de 400 obras – entre as quais destaco porque “bem velhinho” o “Diccionário Prático Illustrado”, de 1935, com 6.000 gravuras, 110 quadros, 90 mapas e 1780 páginas, publicado sob a direcção de Jayme de Séguier, e editado pela Livraria Chardron, da Lello, Limitada, Rua das Carmelitas, 144, Porto –, sofre do mesmo mal da quase totalidade das bibliotecas deste País. Apenas arrumadinhos nas estantes. Mais nada.

E a música, com uma orquestra de música ligeira e jazz, Troupe-Jazz Os Sempre Fixes, 1935, Orquestra-Jazz, 1938, dirigida por Francisco Alves Rodrigues, seguindo-se o Conjunto Cruzeiro do Sul e a Orquestra Popular, que animavam não só os espectáculos como ainda davam música nos bailes, nomeadamente de aniversário, fins de ano, carnaval, pinhata e campestres.

De referir uma “Noite Musical”, assim se chamava o espectáculo, realizado a 18 e 19 de Maio de 1940. Do programa, a Comissão, composta por “cavalheiros e gentis meninas”, comunicava que o responsável pela pintura da ornamentação do salão foi o comissionado José Pedro Trindade Duarte, que haveria “Esmerado Serviço de Bufete, servido por gentis meninas”, e que “aguardando o prazer da vossa comparência para melhor brilhantismo da mesma, enviamos as nossas saudações”. E anunciava:

Dia 18, às 21.30 horas – Abertura do baile, abrilhantado pelo excelente Saxo-Sexteto da Liga da CUF, dirigido pelo hábil amador, sr. Alfredo Remígio. Haverá nesta noite grandes surpresas. Dia 19, às 21.00 horas – Continuação do nosso Programa de Festas, abrilhantado pela Troupe-Jazz da nossa Colectividade, que se fará ouvir com um novo reportório.

Mais bailes.
Na Assembleia Geral de 5 de Janeiro de 1939, o sócio Ernesto Bizarro Carôlo apresentou uma proposta para que “fosse exarada na acta um voto de louvor a todos os componentes da Comissão do Chá Dansante e Baile das Chitas, pela forma como dispensaram o seu esforço, tanto moral como material”. Foram eles e elas – e aqui um apreço muito especial para estas mulheres, num tempo em que na sociedade portuguesa o elemento feminino não era bem visto, e a má fama que isso lhe trazia, quando entrava no “mundo dos homens” – , António Garcês, Mário Martins Paixão, Augusto Amaral, Jorge Augusto Gomes, Artur Duarte Fernandes, Francisco Pereira, Jaime Xavier, António Bravo, Maria Duarte Fernandes, Natália Duarte Fernandes, Ana Carvalho, Maria José da Cruz Ribeiro, Adília Martins, Judite da Silva Rita e Lídia Marques Martins. Ainda a contínua Emília Maria, sempre pronta para colaborar. De registar que o sócio Ernesto Bizarro Carôlo também integrou a dita Comissão, só que, no seu entender, porque não devia propor um voto a ele próprio, não figurava na lista proposta.

Até que a Orquestra Popular se dissolveu, após um período de certo modo controverso entre os seus elementos e a Direcção. Estávamos no ano de 1947. Na impossibilidade de refazer outro agrupamento musical, foi decidido vender todos os instrumentos a um estabelecimento da especialidade, a Casa Custódio Cardoso Pereira, de Lisboa, que surgiu com a melhor proposta, 5.500$00 – a outra interessada, a Casa Santos Beirão, igualmente de Lisboa, oferecia menos. Ainda assim houve quem discordasse da decisão, porquanto podia haver um ou outro particular interessado, se tivesse conhecimento do assunto, e talvez a Colectividade ficasse a ganhar com o negócio. Com a existência do vazio deixado pela “música ao vivo”, logo surgiu a ideia na compra de uma aparelhagem sonora. Que aconteceu, pouco tempo depois. Foi na Casa Philips, “(…) nas condições normais das compras feitas a prestações, tendo sido entregue a importância havida da venda dos instrumentos, ficando as Direcções de 1948 e 1949 com o encargo de satisfazer o pagamento de treze letras no valor nominal de quatrocentos escudos cada e mais uma no valor nominal de trezentos escudos (…)”, diz a acta da Assembleia Geral de 29 de Dezembro de 1947. Custo da aparelhagem sonora: 11.000$00.

Embora com “outra música”, os espectáculos continuaram assim como os festivais da canção e animação infantis, variedades, e fados; recordo uma animada e quente sessão de fados quando do 46º aniversário, 1978, com os fadistas Joaquim Fernandes, Joaquim Rodrigues, Rosinda Duarte e Carlos Soares, acompanhados à guitarra por Paulo Júnior e à viola por António Serra; ainda neste aniversário, a enorme assistência aplaudiu a exibição dos fantoches pelo Grupo Z Broa, e a peça “Farruncha”, de Jaime Gralheiro, pelo Grupo de Teatro da Colectividade. Igualmente espectáculo com boas vozes, e de elogiar a sua actuação, foi o apresentado pelo Coro Polifónico do Alto do Seixalinho, em 2012, como também o Grupo de Cantares dos Amigos Alentejanos, quando deliciou os presentes, numa noite de convívio, em Abril de 2013.

Imperdoável não mencionar os convívios entre sócios, que, embora simples e puros, apenas reflectem a enorme amizade que envolve, de novos a velhos, a boa gente do 31 de Janeiro; convívios que se realizam normalmente ao ar livre, de quando em quando e com bom tempo, no campo de jogos, e que se compõem de quermesse, comes e bebes, alguma música, boa disposição e alegria… convívios que acontecem igualmente quando do magusto no S. Martinho. No fundo, umas horas de prazeres ímpares, que enriquecem e de que maneira o apodo que orgulhosamente ostenta o 31 de Janeiro – Colectividade de Família.

Ainda colóquios, lembro o realizado a 31.1.1978, sobre poesia, com a presença de Fernando Grade, e sobre futebol/arbitragem, a 27.1.2006, com os convidados Octávio Machado, Lucílio Batista e Bruno Paixão, tendo como moderador Juvenal Silvestre, feiras do livro, 1990 e 1991, fotografia, exposições, refiro o I Encontro Outonal da Arte dos Novos, 1986, com pintura, desenho, escultura, gravura, colagens de objectos absurdos, arquitectura, etc, “Diálogos da Primavera Sobre Arte”, em 1987, Helioreprografia, 1991, exposição sobre Futebol de Salão, “25 anos a praticar Futebol de Salão”, 1998, de 26.7 a 11.8, e Colectiva de Pintura e Artesanato, 1999, Boletim Informativo do Clube – Publicados 3 números em 1995, em substituição da Folha Associativa, da qual foram publicados 10 números, entre Outubro de 1989 e Julho de 1990, e Cinema, em colaboração com o Cine-Clube do Barreiro. Ainda feiras do livro, 1990 e 1991, exposições, refiro o I Encontro Outonal da Arte dos Novos, 1986, com pintura, desenho, escultura, gravura, colagens de objectos absurdos, arquitectura, etc, “Diálogos da Primavera Sobre Arte”, em 1987, Helioreprografia, 1991, exposição sobre Futebol de Salão, “25 anos a praticar Futebol de Salão”, 1998, de 26.7 a 11.8, e Colectiva de Pintura e Artesanato, 1999, Boletim Informativo do Clube – Publicados 3 números em 1995, em substituição da Folha Associativa, da qual foram publicados 10 números, entre Outubro de 1989 e Julho de 1990, e Cinema, em colaboração com o Cine-Clube do Barreiro.

Com diferente colorido e roupagem, é de enaltecer o enorme carinho que a Colectividade encara as Festas de Natal, criando “palhaços” e “piratas” apenas com “gente da casa”, que tudo fazem para delírio da centena de crianças presentes, normalmente, crianças da área, felizes ainda pelo lanche que lhes é oferecido. Mais Festa mas nas comemorações quando do 25 Abril, como a registada em 2013: jogos tradicionais, danças com a professora Asyul Najima e canções dos anos 60, com o “Crooner” Vieira, conhecido pelo “Tom Jones” do Barreiro, o último cantor romântico barreirense que, nas décadas de 40 e 50 (séc. XX), foi vocalista da Orquestra Ritmo e Conjunto José da Silva. Ainda neste ano de 2013, a 4 de Maio, registo para uma acção cívica promovida pela C. M. do Barreiro, sob o lema “Limpeza do Barreiro”, a que aderiu a Colectividade que, com o voluntariado de algumas dezenas dos seus amigos, participaram na limpeza da zona envolvente da sua sede.
E teatro, com um forte grupo de teatro amador desde a sua fundação, onde foram representadas, entre outras as peças, “Má Sina”, “Hércules Valente”, “O Criado Distraído”, “A Morte Civil”, “Um Erro Judicial”, “Gente Moça”, “O Médico Vermelho” e “Um Amigo dos Diabos”, esta em 1941, dirigida por Manuel Joaquim Vaz e desempenhada por Fernanda Ribeiro, António Rodrigues, Joaquim Pina e Silva e António Garcês, um amador de méritos inegáveis, e até uma revista, onde se salientaram António Garcês (novamente), Manuel Fernandes, Agripino José Botelho e Jorge Rodrigues. Um outro tipo de espectáculo surgiu com as “Festas da Neve” e as “Festas das Borboletas”, com decoração a preceito e que marcaram na época, anos 30, vastos elogios que fizeram subir a Colectividade no conceito dos barreirenses (não esquecer que esta e outras Colectividades, situadas na época totalmente fora do casario do Barreiro, vila, eram vistas como “parentes desconhecidos ou não interessantes”).

E o teatro, com um forte grupo de teatro amador desde a sua fundação, onde foram representadas entre outras as peças “Má Sina”, “Hércules Valente”, “O Criado Distraído”, “A Morte Civil”, “Um Erro Judicial”, “Gente Moça”, “O Médico Vermelho” e “Um Amigo dos Diabos”, esta em 1941, dirigida por Manuel J oaquim Vaz e desempenhada por Fernanda Ribeiro, António Rodrigues, Joaquim Pina e Silva e António Garcês, um amador de méritos inegáveis, e até uma revista, onde se salientaram amadores como (novamente) António Garcês, Manuel Fernandes, Agripino José Botelho e Jorge Rodrigues. Um outro tipo de espectáculo surgiu com as “Festas da Neve” e as “Festas da Borboleta”, com decoração a preceito e que marcaram na época, anos 30, vastos elogios que fizeram subir a Colectividade no conceito dos barreirenses (não esquecer que esta e outras Colectividades, situadas na época totalmente fora do casario do Barreiro, vila, eram vistas como parentes que desconhecidos ou não interessantes).

Igualmente de recordar é o espectáculo de homenagem à Orquestra Popular do Clube, que aconteceu a 19 e 20 de Julho de 1944, constituído por um “Sensacional Acto de Variedades”, assim refere o programa (Orquestra Popular que acompanhou todas as participações e que, para esse efeito, ensaiou alguns números modernos e de bastante agrado), e a representação, pelo Grupo Scénico do Club (Scénico escrevia-se assim), da espirituosa e engraçada comédia em dois actos “Casado…sem mulher”, de J. da Costa Pina e P. Napoleão da Victória. A distribuição dos papéis foi a seguinte:

» António J. Rodrigues - Aniceto “Brasileiro”
» José Martinheira – Manuel, seu sobrinho
» Luís Alves – Patrício, hóspede
» J. Gilberto Simões – Ramon, aguadeiro
» Acácio Alves – Um criado
» Emília Nunes – Socorro, hospedeira
» Maria Adelaide Sousa – Francisca, hóspede
» Maria de Lurdes Soares - Joaquina

O Ensaiador foi Porfírio Ferreiro, Ponto – Leovegildo Ferreira, Cabeleiras do Victor Manuel e Guarda-Roupa da Casa Paiva.

A 5 de Julho de 1956 escrevia o Jornal do Barreiro, numa reportagem do jornalista Alfredo Zarcos: (…) “E teatro, não fazem aqui?” – perguntava Alfredo Zarcos ao então presidente da Direcção de “Os Celtas”, Arnaldo da Costa. Resposta deste: “Fez-se aqui bastante teatro de amadores! Mas como o palco, porém, era demasiado pequeno, foi resolvido desarmá-lo para dar mais espaço ao salão de baile. Agora, sem palco, é impossível fazer mais teatro ”. A citação daquele pequenino palco desaparecido, trouxe-nos à lembrança (recordações do Alfredo Zarcos), a retrospectiva em imagem de uma festa ali realizada há uma boa meia dúzia de anos, à qual propositadamente fôramos assistir, para ouvir uma jovem cançonetista barreirense, debutante ainda, cuja voz nos tinha sido recomendada como uma promessa de um valor, em embrião (depois de ouvida, onde se estreara apenas 8 anos, nos “Os Franceses”). Fomos e logo se radicou também em nós, a certeza que, aquela rapariguinha modesta, franzina, onde só a voz e a boa dicção eram predicados únicos a torná-la notada, constituía realmente mais um valor a revelar-se entre tantos, surgidos nas nossas sociedades e clubes de recreio. E ninguém se enganou. Esse valor atingiu a culminância da fama, ascendeu aos lugares mais altos da consagração. Maria de Lourdes Resende é hoje a mais categorizada artista da Rádio Portuguesa (…)

Ainda no Teatro, não esquecer o nome de Nuno Alegria, ensaiador de um novo Grupo, isto em finais dos anos 70.

No Desporto,
com cerca de 1500 participantes, incluindo os alunos das escolas primárias, através de um protocolo com a Câmara Municipal do Barreiro, no “31” ou no “Celtas”, como popularmente é denominado, praticou-se o “velho” chinquilho,
que disputou o 1º Campeonato Nacional, zona do Barreiro, isto na Primavera/Verão de 1940. Depois de 3 vitórias seguidas, com o Grupo Flor do Alto dos Silveiros (15-5), G. S. C. U. 9 de Abril Lavradiense B (15-6) e Grupo Sport Chinquilho União 1º de Agosto Paivense (11-7), jogos que não consegui saber a constituição da equipa, veio a derrota, diante do Grupo Sport Chinquilho 15 de Agosto (Telhense), por 11-9, encontro em que alinharam com Fernando Teixeira (94 pontos), Francisco Gomes de Carvalho (60), José Alves (87), Teodoro Ribeiro (73), Januário Ramos (60) e Manuel Clímaco (62); de referir que um dos árbitros deste 1º Campeonato Nacional foi Francisco Augusto Alves.

Ainda badminton, atletismo, xadrez, ténis de mesa, natação, com Luís Amaral, Augusto Braga “Ruço” e António José Pinheiro, bilhar, jogo do pau, cicloturismo, rallys-papers, jogos de salão, do king à copa, sueca, rebenta e dominó, voleibol, praticado na década de 90, com a conquista de alguns torneios particulares, basquetebol, um dos fundadores, juntamente com o F. C. Barreirense, Luso F. C., Grupo Desportivo dos Ferroviários do Barreiro, Império F. C. Barreirense e Sport Lisboa e Barreiro, fundador da A.B.B., Associação de Basquetebol do Barreiro (A.B.B.), a 11 de Dezembro de 1937; anos depois, a 12 de Novembro de 1943 (devido à extinção da A.B.B., determinada por despacho superior), foi também fundador da Associação de Basquetebol de Setúbal (A.B.S.); Campeã Distrital de Seniores em 1949/50, Campeão Distrital de Juniores, em 1952/53, com os jogadores: José Luís, Henrique Valente, Vivaldo, Ludgero Barroso, José Escudeiro, Vítor Alexandre, José Eduardo (Cheira) e Vicente.

Relembre-se um início de Campeonato de Basket-Ball do Barreiro, Maio de 1940, não muito feliz para a Colectividade, pois perdeu em casa com a equipa dos Unidos, por 37-24. Os outros dois jogos, igualmente disputados em casa, foram: Luso 28 – Académica 3, e Barreirense 52 – Ferroviário 19. Apesar do bilhete, que por indicação da Associação baixou o preço para $50 (cincoenta centavos ou cinco tostões), pouco público acorreu ao encontro. Sobre a equipa, escreveu “O Barreiro”, de 23 de Maio de 1940, “(…) Que vive muito do que improvisa, pois falta-lhe um orientador técnico. Preenchida esta lacuna, o ‘cinco’ subirá de produção, pois tem elementos para isso, nomeadamente Solan e Viseu, embora este último tenha cometido o erro de se misturar com a defesa, o que deve evitar, dadas as suas boas qualidades de marcador (…)”. Neste jogo, o Grémio alinhou com: Pinto (depois Nascimento) e Gomes; Solan, Amaral (depois Gonçalves) e Viseu. Agora uma vitória, a 15 de Janeiro de 1950, contra o Ginásio Clube do Sul, por 30 – 9, com os jogadores José Soares, Francisco Nunes, Rogério Contreiras (pouco tempo depois virou para guarda-redes de futebol e logo do Sport Lisboa e Benfica), Carlos Jorge, Francisco Espírito Santo, Joaquim Simões, Manuel Salgueiro, Francisco V. Silva e João Cordeiro.



Igualmente damas clássicas, Campeão Nacional da II Divisão, ano de 2002, em seniores masculinos, depois de ganhar a final contra o C.C.D. de S. João da Madeira, disputada a 26.10.2002 na sede do Grupo Desportivo Operário, em Lisboa; vitória reconhecida pela C.M. do Barreiro com a “Medalha de Prata de Mérito Municipal”. Na foto, a equipa campeã: José Tomás Pinto, Fernando Augusto Bernardo, Joaquim Lobato Gonçalves e José Joaquim Tavares Correia. Também ginástica infantil, aeróbica e de manutenção, hip-hop, yoga, pilates (género de ginástica iniciada em Fevereiro de 2013, que consiste num método de controle muscular desenvolvido por Joseph Pilates, década de 1920, com os exercícios a incidirem, principalmente, em técnicas de equilíbrio, alongamento e respiração, e aberto a homens e mulheres, dança clássica e contemporânea, percussão árabe, aulas de dança oriental e de fusão-dança do ventre, futebol de salão, masculino e feminino. Falemos de futebol de salão.
Para além de organizar torneios que, pela sua qualidade, assumem uma grande tradição... um aceno de felicitações pela enorme vitalidade da Colectividade, quando das comemorações do 62° aniversário, Janeiro de 1994: torneio de xadrez (com 26 jogadores – numa simultânea com Mestre Rui Dâmaso), Damas (24), ténis de mesa (36), dominó belga (43), rebenta (46), king (38) e sueca (64)... e um “obrigatório” torneio de futebol de salão (com 6 equipas e 90 jogadores). Nesta modalidade, o 31 de Janeiro foi igualmente merecedor de parabéns pelos títulos conquistados, quer Regional, Distrital e Nacional, isto em finais de 80 como nalguns anos da década de 90, como a conquista de uma Taça Distrital, 89/90, um Campeonato Nacional de Juvenis, 1990/91, dois Campeonatos Nacionais de Infantis, 1990/91 e 1995/96 (Medalha de Prata de Mérito Municipal), através de Jonas Quaresma, Ricardo Santos, Bruno Constantino, Samir Abdul, Rui Cunha, Duarte Sebastião, Pedro Coelho, André Quaresma, Amadeu Oliveira, Ricardo Soares, Luís Soares e João Almeida, e um Campeonato Nacional de Iniciados, 1996/97, com Amadeu Oliveira, Angelo Simões, Bruno Constantino, Hélio Ribeiro, Henrique Mateus, Hugo Sousa, José Pernas, Luís Baptista, Marco Dias, Nuno Carmelo, Ricardo Santos, Ricardo Neves e Rui Cunha, e o treinador Henrique Oliveira. Ainda o destaque para a equipa feminina, Campeã Nacional e vencedora da Taça de Portugal, 1987/88.





Na final, disputada a 3 Julho de 1988 no Pavilhão da Tapadinha, em Lisboa, com a equipa da Banda 2 de Janeiro, as meninas do 31 de Janeiro sagraram-se campeãs apenas com 1-0, golo, diga-se de superior execução, apontado por Ana Alegria. As campeãs, treinadas por António Valente e Francisco Gonçalves, massagista Fernando Garibaldi e como delegado Delfim Norberto, alinharam com Sandra Lúcio, Carla Teixeira, Ana Guerreiro, Maria João Sousa, Dulce Veras, Esmeralda Correia, Carla Ramos, Ana Alegria, Sandra Farinha e Gina Coelho. Com um Pavilhão bem emoldurado de público, onde se notou a presença de uma alegre claque do 31 de Janeiro, o jogo foi todo ele de nervos, em virtude de ambas as equipas acusarem em demasia a responsabilidade do encontro. No final a festa, indescritível, como se calcula.

Dois anos depois, a 24 de Junho de 1990, após a conquista da Zona Sul do Campeonato Nacional, no qual o 31 de Janeiro venceu o Atlético Clube do Cacém por 4-2, com a equipa formada por Ana Guerreiro, Sandra Lúcio (1), Ana Alegria (2), Sandra Farinha (1), Ana Santos, Dulce Veras, Carla Ramos e Maria Teixeira, treinador António Valente e como delegado Manuel Costa, veio a final, ou finalíssima, após dois empates a 2 golos, disputada no pavilhão da Escola de Santo André, Barreiro, com a formação do Grupo D. Jamoto, das Caldas da Rainha. Neste jogo, o 31 de Janeiro sucumbiu por 1-2, de nada valendo a enorme entrega e o golo marcado por Ana Santos. Por fim, o karaté, modalidade praticada no Clube desde 1982 e apontada, com orgulho, como “Escola de Campeões”, e assumida, com uma ponta de vaidade – com uma vaidade que até fica bem –, não só pelos dirigentes da Colectividade como da própria LNKP, que acrescenta… e o prazer destes “títulos” conquistados pelo 31 de Janeiro… como “1ª Escola do País!”. Consideração, esta, apenas fruto do trabalho, exemplar, desenvolvido pelo “Sensei” Elias Santos (Campeão Nacional várias vezes, Campeão Nacional Absoluto de Veteranos, atleta da Selecção Nacional de 1988 a 1994, participante em Campeonatos da Europa – actual Director Técnico Nacional da LNKP) –, e do óptimo relacionamento que mantém com os seus atletas. Pelo que já conquistaram nas várias categorias e escalões, de Campeões e Vice-Campeões Nacionais individuais (até no mesmo ano em Júniores e Seniores) e por equipas, a vencedor de torneios com alguma relevância, tanto Nacionais como Internacionais (“Portugal Telecom”, em 1997, I Torneio Internacional do Funchal, 2005), a participações em Campeonatos da Europa e do Mundo, atletas há que, dentro das várias dezenas de praticantes, merecem destaque (alguns já homenageados pela Câmara Municipal do Barreiro com a Medalha de Mérito Municipal – Prata e Medalha de Bons Serviços e Dedicação). Assim, fruto da “Escola de Campeões” que o é, e nunca é demais repetir porque soa bem, registo os nomes dos “bons e exemplares alunos”: Gonçalo Esteves, Antínia Morais, Dinarte Santos, Pedro Pinto, Filipe Reis, João Caetano, Sara Ramos, Paulo Quendera, Ana Lavrador, Ana Carolina Galhardas, Helena Isabel, Abel Santos, Jessica Matos, Sandro Coelho, Íris Tavares, Ângela Rodrigues, Andreia Mósca, Bruno Carvalho, Susana Ferreira, André Pereira, André Pinto, Eduardo Almeida, Miguel Silva, Carla Matos, Pedro Correia, Alexandre Alves, Claudino Fortes, Joana Vieira, Paulo Parreira, Rómulo Yan, Dina Tavares, Fábia Mateus, Luís Campino, Filipa Santos, Ricardo Laia, Ricardo Raseth, Tomás Silva, Helena Alves…

Depois de se sagrar Campeã Nacional em 2010, a equipa do 31 de Janeiro ainda nesse ano, orientada pelo Sensei Elias Santos e composta pelos atletas Dinarte Santos, Bruno Carvalho, Pedro Pinto, André Pinto, Filipe Reis e José Lourenço, alcançou um brilhante resultado, o 8º lugar, no 8º Campeonato Europeu de Regiões, realizado em Varsóvia, Polónia, a 29 e 30 de Maio, em representação da região de “Lisboa e Vale do Tejo”. No ano seguinte, 2011, a 25 e 26 de Junho, ainda a representar a mesma região e na mesma competição, o 9º Campeonato Europeu de Regiões, a equipa do 31 de Janeiro conseguiu novo resultado de relevo, o 7º (melhor classificação de sempre de uma equipa portuguesa), disputado em Ankara, Turquia, com o Sensei Elias Santos e as atletas Ana Carolina Galhardas, Ana Inês e Ana Lília.

Na área do Associativismo, lembro a empenhada participação, anos 90, do Ponto de Encontro “Movimento Associativo do Barreiro”, assim como a organização da “Festa do Associativismo Popular do Concelho do Barreiro”, realizada em Junho de 1995.

Para a História do Clube Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro “Os Celtas”, registe-se o nome de Manuel Pereira Salgueiro, tipo de dirigente de uma raça em vias de extinção, a de “pau para toda a obra”, que entrou para o Clube ainda rapazola, em meados dos anos trinta, pouco depois da sua fundação, e fez do Clube a sua segunda quando não a primeira casa, até falecer, a 22 de Agosto de 2004. Contava 81 anos. Também praticante de ténis de mesa, basquetebol, chinquilho (malha pequena) e futebol, tudo isto no Clube, chegou, durante muito tempo, a ser o responsável pela chave da porta da Sede, quando a fechava de noite (era o último a sair).
Em sua homenagem, a Colectividade, numa das paredes do átrio do salão de festas, colocou uma sua fotografia com os dizeres – faltando a indicação de Sócio Honorário, distinção conferida quando da Assembleia Geral de 12 de Setembro de 2004:

                                                                            Manuel Pereira Salgueiro
                                                                      Uma Grande Dedicação ao Clube
                                              Singela homenagem dos Corpos Directivos de que fez parte
                                                                        integrante até à sua partida
                                                                       Outubro 2003 / Outubro 2004
                                                                     Barreiro, 31 de Janeiro de 2005

Também numa das paredes da sala de convívio, numa placa de mármore:

                                                                                           Sala
                                                                                Manuel P. Salgueiro
                                                                      Reconhecimento dos Associados
                                                                                Pelas suas enormes
                                                                             Qualidades de Director
                                                                                  Barreiro 26.9.80


Ainda nesta sala de convívio, um olhar, obrigatório, para uma obra magnífica, uma pintura no tecto, a tinta plástica, executada pelo sócio e antigo dirigente, pintor cenógrafo, José Luís Seixas do Carmo, em 1999; obra, a cores, copiada do original, a preto e branco, do artista gráfico holandês, Maurits Cornelis Escher (1898/1972).


Outra “Gente Grande” merece lugar de destaque na Sede do Clube:

Manuel António Fernandes, antigo presidente do Instituto dos Ferroviários do Sul e Sueste, com uma placa de mármore colocada no átrio do salão de festas e os dizeres:

                                                                                   Homenagem
                                                                        Dos sócios reconhecidos
                                                                      Pelas suas reais qualidades
                                                                                    De dirigente
                                                                                      1937/1944

Também Francisco Augusto Alves, com uma placa e a seguinte inscrição na fotografia:

                                                                      Francisco Augusto Alves
                                                                             Nascido em 1903
                                                                           Sócio fundador nº 1

Ainda “Pela grande dedicação ao Clube” e no mesmo local, existem fotografias de outras referências como foram João Bragança da Silva Aranhas, Delfim das Dores Correia Norberto, Gabriel Firmino Duarte Morgado, Francisco José Gonçalves (Miltinho) e José Mendes Dias Lopes (Caldeirada), antigos dirigentes, e Arminda Maria Contente M. R. Galão, empregada do bar.

Saliento, ainda, porque obrigatório, o propósito da Colectividade em não abdicar, por razão alguma, de transformar todo o espaço que actualmente ocupa num indispensável e fundamental ponto de encontro, que garanta o convívio, lazer, recreação e formação dos seus associados, bem como da população e da comunidade educativa periféricas. Só assim pode recuperar e dinamizar muitas das suas actividades acima referidas (que se encontram suspensas), por parte dos associados e da população em geral, especialmente da juventude.

Talvez que o maior entrave para a não realização destas ideias seja, no fundamental, o de que o prédio onde o Clube está sedeado não lhe pertence – o novo proprietário é a empresa Flório-Gestão Imobiliária, Lda, com sede em Lisboa, que o adquiriu a 18 de Julho de 1996, por 25 milhões de escudos (125.000 €), a Júlio Ramiro Brás Mateiro (filho e herdeiro de António Brás) e mulher, que por sua vez o adquiriram, por usucapião, a 1 de Julho de 1994, pelo mesmo preço… prédio cujo cálculo patrimonial, determinado em 2003, é de 14.289.55 € –, e, assim, a Colectividade não pode fazer as obras de acordo com os desejos da Direcção, como a implantação de novos projectos, por exemplo. Bem tentam as sucessivas Direcções os apoios possíveis, no sentido de comprarem o espaço, mas… “certo é que temos a garantia de permanente, recíproca e frutífera cooperação, nomeadamente com as instituições particulares de solidariedade social, Movimento Associativo local, Câmara Municipal do Barreiro e Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho, entidades estas que, dentro das suas possibilidades, muito têm contribuído para que tal seja possível”. Sentimento generalizado pelos que sentem, vivem e amam a Colectividade. Mas que, infelizmente, não chega. Há que esperar por um milagre, talvez, mas um milagre digno, culto… humano… é que o sempre jovem Clube Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro “Os Celtas” bem o merece. Milagre implantado, as suas gentes, uma enorme família de trabalhadores ímpares, dos pioneiros e históricos ferroviários aos actuais amigos e amantes da Colectividade, ficarão eternamente agradecidas.

Este breve Historial da vida do
Clube Dramático Instrução e Recreio 31 de Janeiro “Os Celtas”,
deve-se, fundamentalmente,
à óptima colaboração das boas gentes da Colectividade.
Para eles e com o respeito merecido,
o meu sincero obrigado.



(João Saraiva)
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